Livro retrata cotidiano da Educação Física nas escolas

IMG_00021O trabalho intitulado “Proposta curricular para a Educação Física: compreendendo a complexidade do cotidiano escolar na cidade de São Paulo”, de autoria de Daniel Teixeira Maldonado e Sheila A.P.S.Silva foi premiado no XII Seminário de Educação Física Escolar, realizado nos dias 22, 23 e 24 de novembro, promovido pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo. O trabalho é fruto da dissertação de mestrado de Daniel Maldonado, orientado pela Profª Drª Sheila Silva, no programa de pós-graduação em Educação Física da Universidade São Judas Tadeu. “O tema sobre a realidade das aulas de Educação Física nas escolas tem despertado inclusive o interesse de editoras para o tema”, conta Daniel.
Quem se interessar em ler o trabalho na íntegra, pode baixá-lo da Biblioteca Digital da Universidade São Judas Tadeu pelo link abaixo:

Sobre Nelson Mandela e o Esporte

Autor: Edison de Jesus Manoel

mandelaeQuando cheguei na Inglaterra, em setembro de 1989, uma coisa me chamou a atenção: a quantidade de locais, geralmente Student’s Union (versão inglesa para Centro Acadêmico/Atlética), com o nome Nelson Mandela. Havia inúmeros Nelson Mandela`s Buildings. Eu nunca havia ouvido falar nesse nome. Aos poucos, fui aprendendo que ele era um preso político na África do Sul, país que em pleno final de século XX mantinha um regime político de segregação racial conhecido como Apartheid.

Mandela, negro, estava preso desde 1964 por ser oponente ao regime do Apartheid e, mais do que isso, por liderar ações armadas contra o regime de Pretória (capital política da África do Sul). Naquela altura, os governos da Europa estavam tomando posições políticas contra o Apartheid e passaram a fazer sanções econômicas à África do Sul, com intuito de que o regime do Apartheid fosse abandonado. O movimento “Free Nelson Mandela” ganhou força, em particular, na Inglaterra. Ao mesmo tempo, os analistas previam um banho de sangue caso Nelson Mandela fosse libertado, considerando que ele tinha liderado uma revolta armada antes de ser preso.

Eu só comecei a perceber quem era Nelson Mandela e o que ele significava quando finalmente ele foi libertado no ano seguinte. Na ocasião, eu tive a felicidade de assistir, ao vivo pela TV, a sua libertação na casa de um casal de Zâmbia.  Dabie Nabuzoka tinha entrado no doutorado junto comigo no ano anterior e costumávamos ir um na casa do outro aos domingos para um lanche ou almoço. Eu o ajudei no doutorado – fiz observações sobre padrões de interação social na pré-escola para ele. Ele foi meu sujeito em alguns testes que fiz para desenvolver um dos equipamentos que usei na tese.

Naquele dia 11 de fevereiro de 1990, nós tínhamos ido almoçar na casa dos Nabuzoka, eu e minha ex-esposa. Depois do almoço, nos sentamos em frente à TV pois a BBC (TV estatal britânica) iria transmitir ao vivo a libertação de Mandela. Quando ele surgiu dos portões do presídio, livre e caminhando em direção à multidão que o aguardava, os olhos dos Nabuzoka brilharam e lágrimas rolaram, ali comecei a apreender quem era Nelson Mandela. Mas o melhor e mais impressionante estava por vir.

Como disse, as previsões de um caos na África do Sul eram enormes. Temia-se que o país caísse numa guerra civil sem precedentes. A minoria branca fazia planos para fugir da África do Sul já que o governo da época tinha feito “concessões” à maioria negra, o que significou a abertura do parlamento para os negros. Todos imaginavam que Mandela que havia passado a maior parte de sua vida na prisão e iria “se vingar” de seus algozes. E de fato ele poderia fazer isso tranquilamente, já que a maioria negra do país estaria com ele.

Mandela, contra todos os prognósticos, enveredou pela via da “não violência” e sobretudo pautou-se por seguir defendendo a continuidade do governo branco, num regime de respeito à liberdade de todos, inclusive dos brancos que o colocaram na prisão. Ele candidatou-se à primeira eleição livre, ainda 1990, elegendo-se deputado. Cinco anos depois, e diga-se cinco anos de governo de minoria branca,  ele foi eleito presidente da África do Sul. Sua principal preocupação no primeiro mandato foi promover um governo de união entre brancos e negros, e entre as diversas etnias negras. E qual foi um dos caminhos que ele seguiu para atingir essa união? O Esporte.

Mandela, aproveitando-se de que a África do Sul tinha sido escolhida para ser sede da Copa do Mundo de Rugby (que envolve as seleções da Inglaterra, França, Nova Zelândia -as mais fortes e tradicionais, Escócia, Irlanda, Itália e a África do Sul), usou do time nacional para promover essa união. Detalhe: a seleção da África do Sul era praticamente só de brancos (havia um jogador negro a essa altura, mas ele era reserva), pois embora o rugby fosse um esporte nacional praticado por brancos e pela maioria dos negros, pela política do Apartheid a seleção só poderia ter brancos.

Mandela aproximou-se do capitão da seleção (aqui cabe lembrar que o capitão de um time de rugby costuma ser um porta-voz do time, e necessita ter um caráter acima de qualquer suspeita) e mostrou a ele que o time jogaria pela Africa do Sul unida, brancos e negros. Ao mesmo tempo, Mandela mostrou à maioria negra que aqueles jogadores, em sua maioria brancos, iriam jogar por todos, inclusive por eles, negros. Aos poucos o time, durante o período de treinamento para Copa, começou a fazer ações de integração, por exemplo, ir treinar numa favela de negros.

De repente, já na Copa, brancos e negros se viram torcendo juntos pela mesma causa. A seleção da África do Sul, que era a pior dentre as demais, foi ganhando jogos e acabou sendo campeã da Copa (a primeira e última vez que a África do Sul ganhou a Copa). Mandela fez questão, durante todo esse período, de andar vestido com a camiseta e o agasalho da seleção (você pode ver uma versão dessa estória em filme realizado há alguns anos, o nome do filme é Invictus e você o encontra em qualquer locadora).

Eu sempre considerei Nelson Mandela como um dos principais nomes do mundo no final do século XX. Ainda na Inglaterra, enquanto eu acompanhava as transformações políticas na África do Sul lideradas por ele, eu me perguntava como pode uma pessoa que ficou presa a maior parte de sua vida agir de forma pacífica, assumir o poder do país que até então havia tratado a maioria negra como escravos ou classe inferior ao longo de todo século XX? Ali estava ele, com todo poder na mão e de forma legítima, podendo promover uma desforra, mas não…

Sua fala calma, que ouvi tantas vezes, foi no rádio e tv britânicas, era a fala do consenso, do acordo, e sobretudo da valorização do que nos faz humanos – o respeito ao estado de direito e a todos os valores que pressupõem o respeito à justiça, à liberdade de expressão e de todos credos e etnias, à razão e à verdade. Eu sempre volto ao olhar dos Nabuzoka naquele 11 de fevereiro de 1990, e reconheço que de fato não era o olhar de quem pedia vingança (Zâmbia sofreu com um tipo de Apartheid também, mas conseguiu fazer uma revolução que acabou com o governo de minoria branca, ainda nos anos 1970). Era um olhar de esperança. Esperança que morreu um pouquinho, com a morte de Nelson Mandela, neste dia, 05 de dezembro de 2013, aos 95 anos, em casa.

Professores recebem certificados do Curso de Atualização em Pedagogia do Esporte

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Secretário-adjunto, Luiz Salles, professora de Educação Física, Cristina Reis, do C.E.E Riyuso Ogawa, e o secretário Celso Jatene

Uma exposição de trabalhos de conclusão feitos por alunos do Curso de Atualização em Pedagogia do Esporte antecedeu hoje, dia 02, a cerimônia de entrega de certificados pelo secretário de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo, Celso Jatene. A cerimônia foi realizada no Auditório A, no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), com a presença de professores de Educação Física ligados à SEME e à Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Supervisores de equipamento, gestores e professores de Educação Física que concluíram o Curso de Atualização realizaram palestras de apresentação dos portfólios de trabalho que foram criados com a orientação dos consultores da Unesco para o Programa Clube Escola. Esses trabalhos serão publicados aqui no blog do Ecole, basta que os autores repassem o material para o e-mail ecole.ef@gmail.com. Confira na página do Ecole, no Flickr, mais de cem fotos da cerimônia. Clique aqui.